Protesto de estudantes e jornalistas segunda-feira (22/6), às 10h

Diretórios acadêmicos de várias faculdades de Jornalismo estão convocando estudantes e jornalistas para uma manifestação de protesto na Capital contra a decisão do STF, que extinguiu a obrigatoriedade do diploma universitário para exercício da profissão. Será segunda-feira (22/6), às 10h, no Metrô Consolação (Av. Paulista, altura do nº 2163). Os organizadores sugerem vestir preto, trazer nariz de palhaço e uma colher de pau.

Encaminhado pelo nosso professor Roberto Coelho

Não Obrigatoriedade do Diploma para Jornalistas

FENAJ

Vejam essa reportagem sobre o diploma de jornalismo, o ministro Gilmar Mendes comparou a profissão de jornalista com a de cozinheiro. 
 
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/06/17/gilmar+mendes+vota+pela+nao+exigencia+de+diploma+para+jornalistas+6787935.html

Supremo decide pela não exigência de diploma para jornalistas
17/06/2009 – 18:27 , atualizada às 19:21 17/06 – Carollina Andrade, repórter em Brasília

BRASÍLIA – O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira, por oito votos a um, pela não exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. A decisão da Corte atende a ação protocolada pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no estado de São Paulo (Sertesp) e do Ministério Público Federal (MPF). O recurso contesta uma decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, que determinou a obrigatoriedade do diploma.
O embate em torno do assunto se arrastou por quase nove anos nas esferas judiciais. Em 2001, a juíza Carla Abrantkoski Rister, da 16ª Vara Federal em São Paulo concedeu uma liminar em Ação Civil Pública do Ministério Público, a pedido do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo, suspendendo a exigência do diploma de graduação em comunicação social para a concessão do registro profissional.
Em 2005, a liminar foi revogada pela 4ª Turma do TRF da 3ª Região, mas em novembro de 2006, o STF garantiu o exercício da atividade jornalística aos que já atuavam na profissão independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior na área.
O julgamento
Primeiro a proferir o voto no plenário do STF, o presidente da Corte e relator da Ação, ministro Gilmar Mendes, afirmou que o fato de um jornalista ter diploma não significa ter mais qualidade que outros profissionais da área que não possuem graduação.  “Os jornalistas se dedicam ao exercício pleno da liberdade de expressão. O jornalismo e a liberdade de expressão, portanto, são atividades imbricadas por sua própria natureza e não podem ser pensadas e tratadas de forma separada”, destacou.
Em seu voto, Mendes comparou a profissão de jornalista com a de um chefe de cozinha. “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”, completou.
“O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no âmbito da culinária. Disso ninguém tem dúvida, o que não afasta a possibilidade do exercício abusivo e antiético dessa profissão, com riscos eventualmente até à saúde e à vida dos consumidores”, acrescentou Mendes.
Os ministros Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello , Cezar Peluso e Ellen Gracie acompanharam o voto do relator.
Já o ministro Marco Aurélio de Mello votou pela obrigatoriedade do diploma. Em seu voto, Mello defende que um jornalista deve ter formação básica a fim de viabilizar a atividade profissional que repercute na vida do cidadão em geral. Joaquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito não participaram da sessão.

“Clippado” por: Patrícia Fonseca

Creches para idosos

As creches são instituições públicas de assistência social que, durante o dia, abriga e alimenta crianças cujos pais trabalham fora. Mas esse conceito foi mudado.

Já existem no Brasil as creches para idosos. Uma iniciativa que visa oferecer aos idosos um local onde possam passar o dia enquanto seus familiares trabalham. Na creche o idoso tem acompanhamento médico e psicológico. Essa ideia é pioneira no Brasil. Eu escuto falar desse tipo de creche há uns dez anos. Acho uma ótima iniciativa, que pretende auxiliar o idoso sem precisar interna-lo numa casa de repouso permanente“, afirma Josefa Coísse, coordenadora da Cidade dos Velhinhos”, em São Paulo.

Na cidade do Rio de Janeiro, em 2003, o vereador Jorge Mauro decretou uma lei autorizando que fossem criadas no município as creches para idosos. Na Praia Grande, litoral paulista, a creche para o idoso foi inaugurada em 1997, lá os idosos passam o dia – das 8h ás 17h – de segunda a sexta-feira. Em outras cidades no país, as creches também estão sendo inauguradas. É uma nova possibilidade de cuidar dos nossos idosos.

Diferente das Instituições de Longa Permanência, as creches para os idosos contam com assistência multidisciplinar em período integral, e o idoso não precisa ficar isolado da sociedade e, principalmente dos familiares. Esse novo método de abrigar e cuidar do idoso, mostra o quanto as casas de repouso estão se modernizando, permitindo que essas pessoas não fiquem à margem da sociedade, diz Josefa Coísse.

* Texto desenvolvido para trabalho acadêmico

Leia aqui sobre as casas de repouso para idosos


Desgraça pouca é bobagem

Para começar o ano com o pé direito (e uma expressão clichê), um texto de nosso amigo mais LEGAL que felizmente decidiu que era hora de não seguir a onda e se tornar mais um jornalista apenas por comodidade. Querido Yuri Mor, nós do “alemdomuro”  sentiremos muito sua falta durante as aulas.

 drunk

 

Desgraça pouca é bobagem

 

– Você vai duvidar! – É a primeira coisa que ela diz quando me encontra. Está nervosa, gesticulando demais, mas não menos bonita. Ela sabe que eu vou realmente duvidar, e mesmo assim está preparando terreno para tentar me convencer. – Mas eu juro que não foi culpa minha.

Resmungo algo equivalente a vai falando, apóio meu cotovelo no balcão do bar, e espero pelo o que virá.

– Eu cheguei ontem da faculdade e nem almocei, só pra não me atrasar pro nosso encontro. Fui tomar banho, e adivinha? – Nem faço o esforço de tentar adivinhar, e ela recomeça. – Acabou a luz! E o pior é que eu estava toda ensaboada…

Ela pausa, e espera que eu tenha dó pela situação. Mantenho meu silêncio.

– Mas eu tomei banho gelado mesmo assim… Não queria chegar atrasada…

Outra pausa. Nenhuma reação de pena. Ela continua.

– Eu já estava vestida, penteada, e com aquele perfume que você gosta – Engano seu. Eu digo que gosto. – quando o telefone tocou. Era a Kátia… Sabe a Kátia, né? – É claro que eu sei a Kátia, né? Aquela sua melhor-amiga-vagabunda. – E ela estava cheia de problemas, coitada. Brigou com o namorado – Não tem importância, ela arranja um a cada semana. E se eu fosse você, se importaria com a sua briga com o namorado. – e eu não podia deixá-la na mão. Ela estava chorando tanto…

Ela quer o quê? Que eu tenha compaixão? Ela tem sorte de eu ter paciência. Enquanto ela faz o drama eu-só-estava-tentando-ajudar-minha-melhor-amiga, eu procuro o barman com os olhos. Não consigo passar por esta situação inteiramente sóbrio.

– E quando eu estava saindo de casa, começou a cair uma garoa. “Tudo bem”, pensei, “já vai passar”. Mas não passou, só piorou. Até eu chegar no ponto de ônibus, já estava toda encharcada. E não dava mais tempo pra voltar…

O barman olha para mim, esboça um sorriso e acena com a cabeça, informando que já vem me atender.

–… E o ônibus demorou tanto pra chegar, pelo menos eu não poderia ficar mais molhada.

Ela está seriamente querendo bancar a sofredora, afinal.

– Peguei o primeiro que passou, e perguntei pro motorista se passava perto do trem. Ele disse… Pára de olhar pra mim desse jeito!

– Ele disse isso pra você? – Pergunto com um cinismo incontrolável. Sei que ela se refere a mim, mas já que tenho que passar por isso, que seja ruim para os dois.

– Não! Eu estou falando pra você! Precisa ficar com essa sobrancelha levantada? Se você não acredita em mim, eu não posso fazer nada… – Ela fica irritada: ponto para mim!

– Continua falando. – Disfarço o sorriso.

– Então… Ele disse que passava. O ônibus estava lotado, e o único lugar que dava pra ficar, era embaixo de uma goteira, é claro!

– Ônibus tem goteira? – Pergunto, dessa vez, sem sarcasmo. A imagem de um balde no piso de um ônibus sob um furo no teto me vem à mente.

– Eu sei lá, mas aquele tinha! E pra ajudar, estava um trânsito infernal. Eu já estava dentro daquela banheira tinha mais de uma hora, e foi aí que eu fui pegar meu celular na bolsa pra te ligar, e avisar que eu ia atrasar, mas ele não estava lá! Meu Deus, eu perdi meu celular! Ou pior: eu fui roubada! Na hora eu pensei em como eu queria ter você do meu lado, por que você sempre sabe o que fazer.

Agora ela quer inflar meu ego?

– Mas você nem deve ter me ligado. Porque, se tivesse, teria notado que eu não atendia, e saberia que alguma coisa estava errada.

Agora ela quer me fazer sentir culpado?

– No desespero, eu comecei a olhar pra todo lugar, vendo se não tinha caído no chão, ou se alguém tinha pegado, e foi quando eu vi um cara me encarando! “Deve ter sido ele”, eu pensei… E ele não parava de me olhar. Eu comecei a ficar com medo, “será que ele quer mais alguma coisa?”. E o pior, ele começou a chegar mais perto. Sem saber o que fazer, eu dei sinal pra parar, e desci no próximo ponto! Você acredita que ele desceu também?

“Cacete, cadê esse barman?”

– Eu comecei a andar, e ele estava me seguindo. Quando eu pensei em começar a correr, eu escorrego e caio numa poça… Ah, você não vai acreditar – Se ela diz que eu não vou acreditar, por que ainda insiste em me contar? – Ele chegou, me ajudou a levantar, e perguntou “você não é a amiga da Kátia?”. Ele era o ex dela… Nem reconheci. Era o Fernandinho, lembra?

– Aquele alto de bigode?

– Não.

– O loiro com o dente torto?

– Não…

– O moto boy que foi preso por assaltar o mercadinho?

Não!

Lembro que eu não a chamo de vagabunda sem motivos.

– Então quem é?

– Aquele que mora na rua de cima da minha casa. Lembrou?

Não, não lembro, mas sei quem é.

– Ele pediu pra mim convencer a Kátia a voltar com ele.

“Pra mim convencer”?

– Ele pediu pra eu convencer a Kátia… – Corrijo.

– Pediu pra você, também? Nossa, ele devia estar desesperado!

– Não, é que… – Não vale à pena a explicação. Suspiro. – Continua…

– Depois, eu parei e pensei “eu estou molhada e toda suja de lama, tão atrasada que nem vou chegar a tempo de encontrar ele, e sem celular pra poder avisar”. Então preferi voltar pra casa e tomar um banho quente. Eu sabia que você iria duvidar, mas eu também sabia que você iria entender. Não queria que você fosse visto com alguém toda suja, porque você sabe que eu te amo, não sabe?

Ela me olha com aquele olhar que toda mulher sabe fazer quando quer alguma coisa.

– E o sexo foi antes ou depois do banho quente? – Pergunto como quem fala “como foi seu dia?”. Ela abre a boca, mas nenhuma palavra sai. – Você tem razão, eu duvido de muitas das coisas que você disse, mas de outras eu tenho certeza de que não aconteceram.

– Do que… que você ta falando? – Como eu queria fotografar essa expressão em seu rosto.

– Primeiramente, eu tenho certeza de que você não foi roubada, porque seu celular estava embaixo do banco do meu carro. Você deve ter deixado cair, e nem percebeu. E, como eu te liguei várias vezes ontem, em uma dessas ligações eu ouvi o toque vindo de dentro do carro.

Ela sua frio, enquanto eu tiro o seu celular do meu bolso.

– E eu também sei que você reconheceu o Fernandinho logo na primeira vez que você olhou. E deduzo que os dois logo deram um jeito de descer do ônibus, mas não pra falar da Kátia, e sim pra falar de vocês. Então teriam voltado pra casa, onde rolou a transa – segundo as palavras dele – mais quente que vocês já tiveram. Ele é tão atencioso, não? Até mandou uma mensagem pra você… Mas, oh, você nem chegou a ler. Mas não tem problema, eu leio pra você. – Ela está tão imóvel que parece que morreu em pé. – “E aí, gata? Estava com saudade. Quase um mês que a gente não transava, mas a de ontem valeu a espera. Foi a mais quente que a gente já teve. Depois me liga pra gente marcar alguma coisa… Beijo”.

Ponho o celular no balcão. Seus olhos lacrimejam.

– Mas ainda tenho uma dúvida: quem é mais vagabunda, a Kátia ou você?

O barman finalmente chega, e a primeira lágrima escorre em seu rosto pálido.

– O que gostariam?

– Um whisky cowboy pra mim, por favor. E pra ela uma morte bem lenta e dolorosa.

Uma formidável queda…

24 de outubro de 1929, data considerada popularmente como o Início da Grande Depressão.

É certo que as crises sempre irão acontecer em todos os mercados, pois eles precisam sempre ser renovados, e como disse o presidente do National City Bank, Charles Mitchell, é necessário um “saneamento do mercado”, uma limpeza.

Com “a tal queda”, os preços sobem, a venda cai, as oportunidades de emprego ficam escassas e as empresas não evoluem; um lado vai prejudicando outro sequencialmente. Mas uma hipótese não se pode descartar, se na Crise de 29 uma real medida sustentável fosse tomada, muitos males à economia teriam sido evitados, como as quedas drásticas na produção industrial, altas taxas de desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países e dos preços das próprias ações.

Certas medidas são necessárias antes que uma crise chegue ao seu ponto crítico e é o que estamos presenciando no atual momento, mas que em nossa opinião, muito já poderia ter sido evitado.

O Brasil, que segue paralelo à atual crise já tem passado por maus bocados em diversos setores da economia. Produtores, investidores e empresários de todos os cantos do país já se vêem sem saída, não sabem mais o que fazer para resistir a esta situação, prejuízo atrás de prejuízo.

O principal medo de hoje que vem assombrando os brasileiros é conseqüência do momento, juros que crescem absurdamente atrás de juros e, ao fim, “ter de pagar para se trabalhar”.

De acordo com o superintendente comercial da COCAMAR (Cooperativa Agroindustrial de Maringá), José Cícero Aderaldo… ‘Não há pânico, mas apreensão.’”

O governo precisa olhar para frente e liberar dinheiro hoje, pois a demanda futura pela produção vai haver. O triste seria perdermos o futuro por falta de crédito imediato”, diz Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora de Carne Suína (Abipecs).

Felizmente, ou infelizmente, nós, meros mortais brasileiros, estamos sofrendo com os “respingos da atual Crise Mundial” (como disse o presidente em exercício no Brasil, Luís Inácio Lula da Silva), ainda não “batemos de frente com o ponto CRÍTICO, com o temido COLAPSO”, ou será que já batemos e nem percebemos?? Será que já estávamos vivendo a ascensão da Crise antes mesmo da quebra de muitos bancos no mundo, neste país que ainda sofre diariamente com a desigualdade social??

Ficam no ar estas questões.

Texto de Isabela Meleiro

Relatório Crítico

Todos nós fazemos cultura, por isso é necessário desmercantilizar a cultura, pois quando mercantilista bloqueamos o conhecimento. Nosso consumo por produtos é estimulado pela Indústria Cultural. O desejo por obter algum elemento que esteja na moda é manifestado por todo tipo de público, agregado a ideologia burguesa. Como resultados existem diversos tipos de mídias o empobrecimento de conteúdo, a fim de atingir uma grande quantidade de pessoas.

Dentro desse contexto quando seguimos determinado padrão de roupa, corte de cabelo, calçado. Esses acessórios nos representam, dizem sobre nossa identidade. O que era apenas uma representação da realidade, combinado por vários efeitos de edição, iluminação, música, torna-se “pão e circo” para o consumo do público na vida real. A sociedade é o espelho do que é exibido na TV.

O que está em xeque é a opção do acesso a outros conteúdos de informação, o público tem seu senso crítico despertado, no entanto a opção por escolher, produzir, outras mídias não chegam até ele. É imposto o padrão, como resultado: o condicionamento a alienação; falta de consciência dos problemas políticos e sociais. O que provoca questionamento para a massa é entendido no contexto de que a audiência não será ressaltada, e assim não é importante saber e nem chegar ao verdadeiro conhecimento de determinado assunto. Atendendo a democracia no sentido ao respeito da pluralidade cultural; gênero, raça, classe social, abrindo válvulas para o conhecimento.

Deveria haver uma constituição de um sistema público, que favorece a apropriação da mídia pelo público, reconhecendo a necessidade de sair tanto do controle estatal como do controle privado. Uma outra saída é utilizar as idéias da própria Indústria Cultural como fez a Tropicália durante o regime Militar, cuja finalidade se baseava em alertar, provocar, mobilizar a massa para os conflitos existentes na época. Ou mesmo o CPC que viu a arte como poder.

Se durante o período de repressão foi possível se manifestar, porque hoje essa idéia seria utopia? Mesmo depois de tantos anos, pós ditadura as emissoras de televisão carregam a herança de uma padronização do controle de informação, mas a apropriação por outros meios alternativos de produção fica sendo uma válvula de escape.

Não nascemos com a idéia do que devemos consumir, pois isso é construído no processo do nosso desenvolvimento; influenciados pelos nossos pais, meios de comunicação como à televisão, e uma série de elementos que estabelecem valores, pensamentos, fertilidade, na trajetória de nossa vida. Morar em um país capitalista é lidar com lucro a cada momento, pois é o dinheiro que movimenta as ações humanas. Os meios de comunicação de massa são poderosos nesse sentido; e a Indústria Cultural se apropriou desses conjuntos de idéias consumível.

A TV é o espelho da sociedade, o reforço dos valores burgueses está também nas novelas, herança do passado que eram repassados por folhetins para a população. Como desfruto vemos personagens estereotipados que seguem a lógica da trajetória do herói, para bem explicar, geralmente é retratado o jovem burguês que cercado por escola particular, possui vários amigos, roupa de marca, boa família, branco, enquanto o jovem negro é pobre, não faz amizades, é isolado, rebelde. Por assim dizer o jovem branco salva o negro, dando-lhe comida ou até mesmo oferecendo a sua própria moradia.

Esse tipo de construção narrativa ocorre o tempo todo nas novelas, distorcendo a realidade, mostrando só um lado da história caracterizando o bom moço. O conceito de manipulação é exatamente a seleção de idéias editadas, no qual mostra apenas uma versão da história; e a preservação cultural acaba sendo escassa.

A liberdade de expressão está voltada para o interesse público a partir do momento que nos vemos como parte da sociedade. Quando produzimos a forma e esquecemos o conteúdo, o repertório cultural cai em decadência.

Texto: Patrícia Fonseca

Vida urbana e rural

A terra é ainda o mais importante meio de produção em países subdesenvolvidos como o Brasil, onde coexistem o modo de vida urbano e o rural.

O processo de desenvolvimento parece sempre geral, mas há poucas metrópoles de fato no país, a concentração do desenvolvimento urbano restringe-se ao sul. O resto do país é rural ainda. Levando em consideração que é particularmente em ambientes assim que se torna fundamental discutir as relações entre esses dois meios de vida, existem diferenças culturais e maneiras diferentes de perceber o mundo.

O campo se especializou na produção de alimentos e de matérias- primas, que em grande parte eram enviados para a cidade. Esta, por sua vida, se especializou na atividade comercial, na atividade político-administrativa e na fabricação de bens econômicos, inicialmente através do artesanato, depois através da manufatura e, por fim, através da fábrica ou indústria moderna.

É importante frisar que cada processo citado acima passa por vários contextos no quadro cultural, político, econômico e social Brasileiro. O que é muito importante para entendermos as etapas do processo Urbano e Rural.

Nas suas diversas épocas o trabalho humano carrega como herança o resultado de muitas influencias políticas, econômicas e relações sociais. É a partir daí que origina a divisão econômica do trabalho: primeiro setor, segundo setor e terceiro setor.

A caça, a pesca e a coleta de frutos nas matas são as atividades econômicas mais antigas. Elas mostram uma intima relação do homem com a natureza. O homem pré-histórico, por exemplo, já transformava a pedra em facas, machados, pontas, de flechas. A transformação da natureza em bens econômicos conheceu diferentes momentos ao longo da história realizada atualmente pela indústria.

Há cerca de 1000 anos, o homem aprendeu a domesticar animais e a cultivar plantas. A partir de então, ele pôde se fixar em um determinado lugar e, assim, tornou-se sedentário.

Durante muitos séculos, a prática da pecuária e da agricultura, apenas garantia a sobrevivência, sem permitir a acumulação dos recursos. Com o tempo, os grupos humanos começaram a obter um excedente de alimentos e outros produtos, como peças artesanais, roupas, etc. Ou seja, depois que os bens obtidos com a produção eram distribuídos entre todos os membros da comunidade, ainda sobrava uma parte.

Até conseguir o excedente econômico, praticamente todos os membros de um mesmo grupo social trabalhavam na terra, cultivando-a cuidando do gado, além de praticarem a caça, a pesca ou extrativismo vegetal. Depois disso, deixou de ser necessário que todos se dedicassem ás atividades manuais.

À medida que o conhecimento humano e a tecnologia foram se aprimorando as atividades econômicas diversificaram-se. Surgiram as agriculturas, a pecuária, o comércio, a indústria e os serviços. A transformação com a natureza é cada vez mais intensa.

Embora a maioria das pessoas continuasse no campo, a cidade, proporcionava um novo espaço geográfico que muito lentamente passaria a reunir pessoas, habitações e outras edificações, como igrejas, mercados, palácio, etc.

Na verdade, a divisão territorial do trabalho entre o campo e a cidade foi definitivamente consolidada com a Revolução Industrial. Isso porque a atividade industrial desenvolvida, e concentrada na cidade, passou a comandar as atividades econômicas da sociedade moderna, o que resultou nos espaços urbanos – industriais que tão bem caracterizam o atual espaço geográfico mundial.

O Brasil colonial deu ênfase ao trabalho rural, com a propriedade fundiária marcada pelos grandes proprietários de terra das capitanias hereditárias e sesmarias, utilizando-se primeiramente do trabalho escravo. Havia o privilégio de exportar produtos para Portugal, devido ás demandas econômicas, denominado monocultura de exportação.

No século XVII o capitalismo no expandiu-se e assim grande parte dos produtos receberam um novo tratamento no mercado capitalista. A lei da oferta e da procura ganha destaque. O que está em jogo atualmente é a questão da propriedade da terra e dos meios de produção.

Agricultura, a pecuária e as ocupações extrativas são as bases da economia rural. É muito interessante notar que tanto o ambiente rural quanto o urbano, influencia nas ações sociais do homem:

Com a expansão do capitalismo industrial, tornou-se comum a migração, pois os industriais das grandes cidades começavam a contratar trabalhadores rurais que buscavam uma vida melhor. Assim, a migração teve papel importante no desenvolvimento das grandes cidades.

O Plano Urbanista Básico (PUB) calculou que em 1968, a região da Grande São Paulo era constituída em 61,1% de migrantes, o equivalente a 3.310.000 pessoas. O aumento populacional urbano é conseqüência do fluxo migratório do campo para a cidade.

O indivíduo rural vem em busca de emprego por causa do que perdeu no campo para máquinas agrícolas. Em uma metrópole a função deste trabalhador é suprir a base de produção que mantém a economia do país, a mesma que exige a tecnologia no campo para poder competir com o mercado externo.

Tratando-se de um ciclo comercial, não podemos separar o campo da cidade, pois ambos estão ligados. O escritório central de uma empresa que produz no campo, está em centros urbanos, justamente por se tratarem de pólos econômicos, por exemplo.

Basicamente as metrópoles possuem a mesma característica: a população cresce em volta de uma concentração comercial geradora de empregos. Esse rápido crescimento populacional causa problemas crônicos de serviços oferecidos à população: moradia, saúde, transporte. Há uma extensa falta de oferta de empregos, sobram pessoas com pouca qualificação, faltam trabalhadores que possam ocupar cargos distintos.

A tão famosa globalização que nos cerca há alguns anos, para não dizer décadas, deixa sua marca no âmbito social, porém com características distintas quando se trata de uma sociedade rural e uma sociedade urbana. Ambas com suas peculiaridades, as atividades desenvolvidas no campo são complementadas com as que se desenvolvem na cidade, e vice-versa.

A sociedade rural tradicional é aquela que se transformou no processo de globalização, com uma ideologia tecnológica, a inserção de maquinários e as indústrias, que devolveram ao trabalhador o seu emprego que outrora fora tomado pela modernização, formam uma nova personalidade para a vida rural. A industrialização ocorrida no mundo urbano foi gerada por aqueles que saíram do campo. São profissionais que não desejavam mais trabalhar com a agricultura, que por muito tempo caracterizou o trabalho no êxodo rural.

Essa globalização desenfreada que alimenta o capitalismo, gera cada vez mais conforto e técnica para o campesino, enquanto que na cidade, todo esse conforto nos remete a dizer que diante de tanta correria e distração, o citadino vai atrás do que é natural encontrado no campo. Não há competição, o que existe é uma ligação, um meio necessita do outro para que a sociedade consiga se desenvolver e crescer. É a globalização tentando transformar os dois modos de vida em uma sociedade igualitária.

A educação no Brasil é muito diferenciada, principalmente entre nordeste-sudeste. A existência de alta tecnologia na indústria e na agricultura bem como um moderno setor de serviços produz no sul-sudeste um padrão de vida comparável ao nível dos povos europeus, já a região nordeste está hoje entre as mais pobres do mundo.

É evidente que a qualidade da educação é ligada à qualidade das escolas, exemplo disso é que em 1982, apenas 40% dos professores do ensino fundamental do nordeste, haviam concluído o Ensino Fundamental. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, apresentam baixíssimos índices de crianças que não freqüentam a escola.

No nordeste rural é preciso um esforço de quinze a dezenove anos de serviços educacionais para um aluno atingir a quarta série do Ensino Fundamental. Nas grandes metrópoles do país esse esforço é de apenas cinco anos.

Com tantas diferenças, a educação no Brasil precisa de sérias reformas para tentar diminuir tanta desigualdade provocada principalmente pelo êxodo rural.

 

.::Texto coletivo dos pixadores do muro::.

Hotel Ruanda

O filme Hotel Ruanda retrata o genocídio ocorrido no ano de 1994 em Ruanda, transformado em uma guerra civil travada entre Hutus e Tutsis. Esse massacre consistia em eliminar todos os tutsis, incluindo mulheres, crianças e idosos.

A divisão em dois “povos” foi estabelecida pelos belgas, que colocaram os tutsis para governar o país, mas quando os colonos belgas deixaram o país concederam o poder aos hutus, que se vingaram pelos anos de repressão sofrida pelos tutsi.

O filme também retrata o descaso da ONU em conter a dramática situação, eles apenas se preocuparam com os estrangeiros do país, retirando suas tropas do local, deixando-os à mercê. Essa atitude retrata o jogo de interesses e a falsa luta em prol da paz pregada pela ONU, sendo Ruanda um país pobre e de negros que não despertou o interesse público (declarando, também o racismo mundial).

A ajuda chegou não pelo cumprimento do dever, mas sim pela intervenção de pessoas influentes como o próprio dono do hotel.

O genocídio terminou em julho de 1994, deixando milhões de mortos.

Em uma única palavra, é IMPRESSIONANTE o fato de esse ser um massacre ignorado pelo mundo e fora do conhecimento de muitos.

O genocídio em Ruanda nunca deve ser esquecido, para que acontecimentos como esse possam ser evitados e combatidos sem o descaso por parte das autoridades.

Texto: Bianca Galvani

Foto: Flickr/Joako Gardener

Uma nacionalidade adquirida

Copa de 70

Copa de 70

Por Patrícia Fonseca e Thaís de Paula

“Escolhi ser brasileiro, não nasci nesse país, mas sou mais brasileiro do que muitos”, declara o português de nascimento e brasileiro de coração Carlos Cunha, de 58 anos, que aos 9 foi trazido pelos pais para viver no bairro do Ipiranga em São Paulo.

Suas primeiras impressões da cidade foram tranqüilas, na época o trânsito era calmo, a vida assemelhava-se ao ritmo dos bondes que circulavam vagarosamente por ela.

Anos mais tarde, o jovem luso-brasileiro, presenciou com entusiasmo a confusão criada pela construção da Avenida Radial Leste, que foi idealizada pelo presidente Médici. Chamado de louco na época, o presidente antecipou uma situação que ocorre atualmente: a falta de espaço para a circulação de carros nas grandes avenidas, pois se na época a Radial era larga demais para o volume de carros, hoje é estreita demais e quase não atende a demanda.

Depois de trinta anos trabalhando em um luxuoso restaurante na Rua Nestor Pestana como gerente, foi sócio de um famoso clube noturno na região do ABC. Querendo uma vida mais pacata, o senhor Carlos tornou-se jornaleiro de uma banca ao lado da Universidade São Judas.

A sua lembrança mais marcante nada tem a ver com a sua vida profissional, mas sim com a conquista da copa Mundial de Futebol pela seleção nacional em 1970. Na época, aos vinte anos e influenciado com o clima de descontração em meio a Ditadura, juntamente com alguns amigos, “emprestou” algumas bandeiras oficiais do Estado e do país, para pendurá-las nas janelas de seu apartamento na Rua dos Patriarcas ao lado do televisor que foi direcionado para a rua, que fora fechada, pois os moradores queriam ver e festejar a conquista da taça. Nessa condição, sentiu que havia um forte clima de patriotismo e orgulho em meio à pior época da ditadura. Apesar de ter servido como distração, a conquista da Copa para o senhor Carlos, foi uma afirmação para a nacionalidade que escolheu, pois demonstrou que ainda haveriam muitas conquistas nesse pais.

Imagem: Flickr/Marjoriesalu

Além do Muro

Continuando a conversa sobre as eleições, hoje passei pelo Observatório da Imprensa e li uma matéria bem interessante.

“Eleições municipais vistas de Brasília”

Nesse texto, Venício A. de Lima explica bem como o Distrito Federal fica “isolado” do resto do país em época de eleições municipais (eles elegem somente os governantes, senadores e deputados).

Seria talvez, como o próprio autor da matéria disse, uma ótima oportunidade para que a mídia nacional fizesse uma discussão sobre o que difere o DF do resto do país. É importante que algumas comparações sejam realizadas.

Enquanto os outros Estados acompanham o horário eleitoral gratuito (que não tem nada de gratuito), o Distrito Federal assiste, pela Rede Globo, a reprise da minissérie JK.

Mídia local e as pesquisas eleitorais

Nesse mesto texto do OI, Venício fez uma observação bem importante.

Na edição de sábado (30/08), tanto o Estado de S. Paulo quanto a Folha de S. Paulo publicaram na matéria de capa sobre os percentuais dos principais candidatos a prefeitura da capital. O Estadão trouxe o resultado da pesquisa realizada pelo Ibope.

Com pesquisas diferentes as duas manchetes foram opostas, e ao invés de esclarecer, os dois jornais deixaram uma dúvida pairando sobre a cabeça do leitor.

O eleitor precisa nesse momento colocar em prática o senso crítico, que em épocas como essa deve estar mais ainda funcionando bem. O que está em questão, nessa história da Folha e do Estadão, é a imparcialidade que existe na cobertura da campanha eleitoral.

Será que o eleitor já está preparado para identificar e refletir sobre isso?

Eu já saí de cima do Muro