Todos nós fazemos cultura, por isso é necessário desmercantilizar a cultura, pois quando mercantilista bloqueamos o conhecimento. Nosso consumo por produtos é estimulado pela Indústria Cultural. O desejo por obter algum elemento que esteja na moda é manifestado por todo tipo de público, agregado a ideologia burguesa. Como resultados existem diversos tipos de mídias o empobrecimento de conteúdo, a fim de atingir uma grande quantidade de pessoas.
Dentro desse contexto quando seguimos determinado padrão de roupa, corte de cabelo, calçado. Esses acessórios nos representam, dizem sobre nossa identidade. O que era apenas uma representação da realidade, combinado por vários efeitos de edição, iluminação, música, torna-se “pão e circo” para o consumo do público na vida real. A sociedade é o espelho do que é exibido na TV.
O que está em xeque é a opção do acesso a outros conteúdos de informação, o público tem seu senso crítico despertado, no entanto a opção por escolher, produzir, outras mídias não chegam até ele. É imposto o padrão, como resultado: o condicionamento a alienação; falta de consciência dos problemas políticos e sociais. O que provoca questionamento para a massa é entendido no contexto de que a audiência não será ressaltada, e assim não é importante saber e nem chegar ao verdadeiro conhecimento de determinado assunto. Atendendo a democracia no sentido ao respeito da pluralidade cultural; gênero, raça, classe social, abrindo válvulas para o conhecimento.
Deveria haver uma constituição de um sistema público, que favorece a apropriação da mídia pelo público, reconhecendo a necessidade de sair tanto do controle estatal como do controle privado. Uma outra saída é utilizar as idéias da própria Indústria Cultural como fez a Tropicália durante o regime Militar, cuja finalidade se baseava em alertar, provocar, mobilizar a massa para os conflitos existentes na época. Ou mesmo o CPC que viu a arte como poder.
Se durante o período de repressão foi possível se manifestar, porque hoje essa idéia seria utopia? Mesmo depois de tantos anos, pós ditadura as emissoras de televisão carregam a herança de uma padronização do controle de informação, mas a apropriação por outros meios alternativos de produção fica sendo uma válvula de escape.
Não nascemos com a idéia do que devemos consumir, pois isso é construído no processo do nosso desenvolvimento; influenciados pelos nossos pais, meios de comunicação como à televisão, e uma série de elementos que estabelecem valores, pensamentos, fertilidade, na trajetória de nossa vida. Morar em um país capitalista é lidar com lucro a cada momento, pois é o dinheiro que movimenta as ações humanas. Os meios de comunicação de massa são poderosos nesse sentido; e a Indústria Cultural se apropriou desses conjuntos de idéias consumível.
A TV é o espelho da sociedade, o reforço dos valores burgueses está também nas novelas, herança do passado que eram repassados por folhetins para a população. Como desfruto vemos personagens estereotipados que seguem a lógica da trajetória do herói, para bem explicar, geralmente é retratado o jovem burguês que cercado por escola particular, possui vários amigos, roupa de marca, boa família, branco, enquanto o jovem negro é pobre, não faz amizades, é isolado, rebelde. Por assim dizer o jovem branco salva o negro, dando-lhe comida ou até mesmo oferecendo a sua própria moradia.
Esse tipo de construção narrativa ocorre o tempo todo nas novelas, distorcendo a realidade, mostrando só um lado da história caracterizando o bom moço. O conceito de manipulação é exatamente a seleção de idéias editadas, no qual mostra apenas uma versão da história; e a preservação cultural acaba sendo escassa.
A liberdade de expressão está voltada para o interesse público a partir do momento que nos vemos como parte da sociedade. Quando produzimos a forma e esquecemos o conteúdo, o repertório cultural cai em decadência.
Texto: Patrícia Fonseca
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