Nosso primeiro ensaio fotográfico: O caos

O Universo começou num estado primordial chamado Caos. Todos aprenderam na escola que um “Big Bang” desencadeou o início da Criação. Segundo a Teoria do Caos “uma mudança muito pequena nas condições iniciais de uma situação leva a efeitos imprevisíveis”. 

Neste ensaio fotográfico procuramos essas pequenas mudanças dentro do nosso microcosmos cotidiano, abrangendo a cidades de São Paulo, Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá, porém a cidade mais caótica realmente é a capital, por isso houve uma predominância de fotos realizadas nela.

A falta de estrutura na favela; os prédios no centro da cidade de São Paulo, que confundem a paisagem criando uma visão caótica; o metrô e a estação de trem lotados; o terreno baldio que é transformado em lixão; as filas intermináveis por todos os motivos, inclusive para comer; os mendigos dormindo nas calçadas; o trânsito infernal; o shopping center acessível apenas a quem tem dinheiro e próximo aos menos favorecidos, refletindo cinicamente a pobreza em seus espelhos decorativos da fachada.

Através das fotos foi possível analisar o Caos contido na metrópole em suas diversas formas. Analisar o Caos metropolitano, fez com que pudéssemos observar o quão nossa sociedade ainda é defasada, quanto à questão da desigualdade social. O desrespeito ao meio ambiente, também torna o Caos evidente em meio a prédios e casas. O Caos contribui, para desestruturar todo um sistema, como consequência de problemas maiores e ainda não foram encontradas as devidas soluções.

Clique aqui para ver as imagens em apresentação de slides

Ou se preferir, clique nas imagens individualmente.

Bianca Galvani – Av. Aguiar da Beira – Vila Antonieta

Bianca Galvani – Praça da República

Felipe Ferreira – Estação do Metrô Tatuapé

Felipe Ferreira – Rua das Margaridas – Vila Mercedes – Mauá

Nathalia Guarezi – Av. Flores do Piauí – Itaquera

Nathalia Guarezi – Av. Jacú Pessego – Itaquera

Patricia Fonseca – Largo da Santa Cecília

Patricia Fonseca – Marginal Tietê

Thaís de Paula – Av. do Estado – Ipiranga

Thaís de Paula – Estação da Luz

Curso gratuito para jornalistas em SP-Simplificando o Direito

Simplificando o Direito
CURSO PARA JORNALISTAS
Gratuito para profissionais da imprensa

Esse curso tem por objetivo apresentar a jornalistas e demais operadores de mídia os principais conceitos gerais do Direito, visando afastar erros e impropriedades na atividade de noticiar crimes, processos, leis, organização dos Poderes, entre outros. Serão abordados, de maneira objetiva, clara, didática e em linguagem não técnica, as estruturas do Estado brasileiro e dos Poderes, especialmente do Poder Judiciário, e também os mais relevantes aspectos que envolvem os crimes, os agentes envolvidos no processo (Polícia, Promotor, Juiz, Advogado, Defensor, entre outros) e temas diversos.
Dias:
14, 15 e 16 de julho de 2009
(de terça a quinta-feira)
Horários:
das 14h00 às 16h00 (dias 14 e 15)
das 14h00 às 17h30 (dia 16)
Conteúdo programático:
14 de julho (das 14h00 às 16h00)

AULA 1:
O crime, o inquérito policial e o processo: do fato à pena.
O preso tem direitos? A pena pode ser de 100 anos? Qual a eficácia disso? O Promotor manda prender? O Juiz pode escolher a pena? O Delegado pode dar delação premiada? O advogado absolve o cliente? Por que nem todos são julgados pelo povo (Júri)?

Professores:
• Damásio de Jesus
Procurador de Justiça aposentado – Presidente do Complexo Jurídico Damásio de Jesus

• Flávio Cardoso de Oliveira
Advogado Criminalista

15 de julho (das 14h00 às 16h00)

AULA 2:
Estrutura do Estado. Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). Tribunais e Juízes. Eleições e sistema eleitoral.
Presidente cria lei? Senador e Deputado decidem sobre as mesmas coisas? Todo Juiz é igual e pode decidir tudo (Juiz do Trabalho, Juiz Federal, Juiz Militar, Juiz de Direito)? O cidadão pode exigir uma lei?

Professora:
• Luciana Russo
Procuradora do Município de São Paulo – Mestra e Doutoranda em Direito pela Universidade de São Paulo (USP)

16 de julho (das 14h00 às 16h00)

AULA 3:
As notícias e a responsabilidade da imprensa por suas palavras. Dano material e dano moral. Principais direitos do consumidor.
A notícia dada de maneira errada gera processo contra o repórter? Pode ser crime? Qual o tipo de consequência para o jornal, a TV, o jornalista? Posso comprar e devolver? E se não gostar?

Professor:
• Marcos Destefenni – Promotor de Justiça – Mestre e Doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP)

16 de julho (das 16h00 às 17h30)

AULA 4:
Panorama atual dos concursos públicos no Brasil.
Como ficam os concursos no ano eleitoral. Suspensão dos concursos (o que compete a cada Poder: Executivo, Legislativo e Judiciário).
Nome com restrição na Centralização de Serviços dos Bancos S.A. (Serasa) e no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

Professor:
• Fabio Gonçalves
Diretor Comercial do Grupo ABECE
Carga horária total:
8 aulas
Inscrições:
Gratuitas, pelo telefone: 11 3164-6604
Observações:
• Curso ministrado pelo sistema Via Satélite e em sala presencial (estúdio).
• Possibilidade de envio de questões por e-mail e debates ao final de cada encontro.

Acesse aqui para se inscrever

São Paulo Recebe o curso Relações com a Mídia

O curso Relações com a Mídia surgiu a partir de pesquisas de mercado sobre a opinião dos jornalistas a respeito do trabalho do assessor de imprensa, que tem como grande desafio transformar um release em notícia.
Com abordagens em coletivas e exclusivas, follow-up, métodos de divulgação de eventos e pautas, tipos de releases entre outros, o ministrante ensina técnicas de relacionamento e divulgação na mídia.
Marco Antonio Siqueira é assessor da Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo. Foi chefe da Assessoria de Imprensa da Fundação para o Bem Estar do Menor (Febem) de 2004 a 2006, período em que a entidade viveu uma de suas maiores crises. Desde o começo de 2005, ministra o curso “Assessoria em Órgãos Públicos -Administração de Crises” em diversos estados. Teve experiências anteriores na Imprensa de São Paulo como chefe de Reportagem do programa Brasil Urgente e do jornal da Bandeirantes. Foi, ainda, editor do programa SBT Repórter e do Jornal do SBT.
O curso acontece nos dias 27 e 28 de junho, em São Paulo, SP.
Para mais informações, acesse a página do curso.

Novos Mini-Cursos GRATUITOS na FAPCOM

A FAPCOM, inicia uma nova série de Mini-Cursos Gratuitos voltados a área de Comunicação Social.
As inscrições são gratuitas e serão feitas somente através do telefone 0800 709 8707 (das 8h às 22h). Vale lembrar que as vagas são limitadas, por isso, realize a sua inscrição o quanto antes.
Todos os presentes receberão certificados de participação para cada palestra assistida. Haverá ainda sorteio de livros e pen-drives para os participantes.
Veja a programação:
20 de junho
“Milagres da Fotografia Digital” com Ricardo Pagemaker. 10h às 12h. Saiba mais.
“Marketing Direto” com Profº Rafael Lima. 13h às 15h. Saiba mais.
27 de junho
“Atendimento ao Cliente: do Discurso à Prática” com Prof. Cel. Arruda. 10h às 12h. Saiba mais.
“Blogs: Jornalismo Pessoal e Intransferível” com Lili Ferrari. 13h às 15h. Saiba mais.
04 de julho
“A Língua Portuguesa e o Novo Acordo Ortográfico” com Profº Wallas Cabral. 10h às 12h. Saiba mais.
“Marketing de Guerrilha” com Profª Suemary Fernandes. 13h às 15h. Saiba mais.
11 de julho
“Inovação Digital e os Novos Caminhos da Comunicação” com Profº Gil Giardelli. 10h às 12h. Saiba mais.
“Linguagem Cinematográfica” com Profº Sérgio Clemente. 13h às 15h. Saiba mais.
01 de agosto
“Ética, Moral e a Estética da Existência” com Profª Denise Marciano de Aquino e Profº Dr. Marcelo Flório. 10h às 12h. Saiba mais.
“A Comunicação e o Mercado de Trabalho” com Profº Dr. Ary Rocco. 13h às 15h. Saiba mais.
08 de agosto
“De Paraquedas na Web: A Tranquilidade do Pouso está nas Mãos do Profissional” com  Adriana Pancini e Henrique Paulo Moreira Junior. 10h às 12h. Saiba mais.
“Liberdade de Ser, Responsabilidade do Fazer” com Prof. Daniel Julio. 13h às 15h. Saiba mais.
Para mais informações acesse: www.fapcom.com.br ou ligue para 0800 709 8707.
Todos os Mini-Cursos serão realizados na FAPCOM, na Rua Major Maragliano, 191 – Vila Mariana – São Paulo – SP – 04017-030. (Mapa do local)
Atenciosamente,
Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação

Protesto de estudantes e jornalistas segunda-feira (22/6), às 10h

Diretórios acadêmicos de várias faculdades de Jornalismo estão convocando estudantes e jornalistas para uma manifestação de protesto na Capital contra a decisão do STF, que extinguiu a obrigatoriedade do diploma universitário para exercício da profissão. Será segunda-feira (22/6), às 10h, no Metrô Consolação (Av. Paulista, altura do nº 2163). Os organizadores sugerem vestir preto, trazer nariz de palhaço e uma colher de pau.

Encaminhado pelo nosso professor Roberto Coelho

Não Obrigatoriedade do Diploma para Jornalistas

FENAJ

Vejam essa reportagem sobre o diploma de jornalismo, o ministro Gilmar Mendes comparou a profissão de jornalista com a de cozinheiro. 
 
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/06/17/gilmar+mendes+vota+pela+nao+exigencia+de+diploma+para+jornalistas+6787935.html

Supremo decide pela não exigência de diploma para jornalistas
17/06/2009 – 18:27 , atualizada às 19:21 17/06 – Carollina Andrade, repórter em Brasília

BRASÍLIA – O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira, por oito votos a um, pela não exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. A decisão da Corte atende a ação protocolada pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no estado de São Paulo (Sertesp) e do Ministério Público Federal (MPF). O recurso contesta uma decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, que determinou a obrigatoriedade do diploma.
O embate em torno do assunto se arrastou por quase nove anos nas esferas judiciais. Em 2001, a juíza Carla Abrantkoski Rister, da 16ª Vara Federal em São Paulo concedeu uma liminar em Ação Civil Pública do Ministério Público, a pedido do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo, suspendendo a exigência do diploma de graduação em comunicação social para a concessão do registro profissional.
Em 2005, a liminar foi revogada pela 4ª Turma do TRF da 3ª Região, mas em novembro de 2006, o STF garantiu o exercício da atividade jornalística aos que já atuavam na profissão independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior na área.
O julgamento
Primeiro a proferir o voto no plenário do STF, o presidente da Corte e relator da Ação, ministro Gilmar Mendes, afirmou que o fato de um jornalista ter diploma não significa ter mais qualidade que outros profissionais da área que não possuem graduação.  “Os jornalistas se dedicam ao exercício pleno da liberdade de expressão. O jornalismo e a liberdade de expressão, portanto, são atividades imbricadas por sua própria natureza e não podem ser pensadas e tratadas de forma separada”, destacou.
Em seu voto, Mendes comparou a profissão de jornalista com a de um chefe de cozinha. “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”, completou.
“O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no âmbito da culinária. Disso ninguém tem dúvida, o que não afasta a possibilidade do exercício abusivo e antiético dessa profissão, com riscos eventualmente até à saúde e à vida dos consumidores”, acrescentou Mendes.
Os ministros Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello , Cezar Peluso e Ellen Gracie acompanharam o voto do relator.
Já o ministro Marco Aurélio de Mello votou pela obrigatoriedade do diploma. Em seu voto, Mello defende que um jornalista deve ter formação básica a fim de viabilizar a atividade profissional que repercute na vida do cidadão em geral. Joaquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito não participaram da sessão.

“Clippado” por: Patrícia Fonseca

Creches para idosos

As creches são instituições públicas de assistência social que, durante o dia, abriga e alimenta crianças cujos pais trabalham fora. Mas esse conceito foi mudado.

Já existem no Brasil as creches para idosos. Uma iniciativa que visa oferecer aos idosos um local onde possam passar o dia enquanto seus familiares trabalham. Na creche o idoso tem acompanhamento médico e psicológico. Essa ideia é pioneira no Brasil. Eu escuto falar desse tipo de creche há uns dez anos. Acho uma ótima iniciativa, que pretende auxiliar o idoso sem precisar interna-lo numa casa de repouso permanente“, afirma Josefa Coísse, coordenadora da Cidade dos Velhinhos”, em São Paulo.

Na cidade do Rio de Janeiro, em 2003, o vereador Jorge Mauro decretou uma lei autorizando que fossem criadas no município as creches para idosos. Na Praia Grande, litoral paulista, a creche para o idoso foi inaugurada em 1997, lá os idosos passam o dia – das 8h ás 17h – de segunda a sexta-feira. Em outras cidades no país, as creches também estão sendo inauguradas. É uma nova possibilidade de cuidar dos nossos idosos.

Diferente das Instituições de Longa Permanência, as creches para os idosos contam com assistência multidisciplinar em período integral, e o idoso não precisa ficar isolado da sociedade e, principalmente dos familiares. Esse novo método de abrigar e cuidar do idoso, mostra o quanto as casas de repouso estão se modernizando, permitindo que essas pessoas não fiquem à margem da sociedade, diz Josefa Coísse.

* Texto desenvolvido para trabalho acadêmico

Leia aqui sobre as casas de repouso para idosos


Desgraça pouca é bobagem

Para começar o ano com o pé direito (e uma expressão clichê), um texto de nosso amigo mais LEGAL que felizmente decidiu que era hora de não seguir a onda e se tornar mais um jornalista apenas por comodidade. Querido Yuri Mor, nós do “alemdomuro”  sentiremos muito sua falta durante as aulas.

 drunk

 

Desgraça pouca é bobagem

 

– Você vai duvidar! – É a primeira coisa que ela diz quando me encontra. Está nervosa, gesticulando demais, mas não menos bonita. Ela sabe que eu vou realmente duvidar, e mesmo assim está preparando terreno para tentar me convencer. – Mas eu juro que não foi culpa minha.

Resmungo algo equivalente a vai falando, apóio meu cotovelo no balcão do bar, e espero pelo o que virá.

– Eu cheguei ontem da faculdade e nem almocei, só pra não me atrasar pro nosso encontro. Fui tomar banho, e adivinha? – Nem faço o esforço de tentar adivinhar, e ela recomeça. – Acabou a luz! E o pior é que eu estava toda ensaboada…

Ela pausa, e espera que eu tenha dó pela situação. Mantenho meu silêncio.

– Mas eu tomei banho gelado mesmo assim… Não queria chegar atrasada…

Outra pausa. Nenhuma reação de pena. Ela continua.

– Eu já estava vestida, penteada, e com aquele perfume que você gosta – Engano seu. Eu digo que gosto. – quando o telefone tocou. Era a Kátia… Sabe a Kátia, né? – É claro que eu sei a Kátia, né? Aquela sua melhor-amiga-vagabunda. – E ela estava cheia de problemas, coitada. Brigou com o namorado – Não tem importância, ela arranja um a cada semana. E se eu fosse você, se importaria com a sua briga com o namorado. – e eu não podia deixá-la na mão. Ela estava chorando tanto…

Ela quer o quê? Que eu tenha compaixão? Ela tem sorte de eu ter paciência. Enquanto ela faz o drama eu-só-estava-tentando-ajudar-minha-melhor-amiga, eu procuro o barman com os olhos. Não consigo passar por esta situação inteiramente sóbrio.

– E quando eu estava saindo de casa, começou a cair uma garoa. “Tudo bem”, pensei, “já vai passar”. Mas não passou, só piorou. Até eu chegar no ponto de ônibus, já estava toda encharcada. E não dava mais tempo pra voltar…

O barman olha para mim, esboça um sorriso e acena com a cabeça, informando que já vem me atender.

–… E o ônibus demorou tanto pra chegar, pelo menos eu não poderia ficar mais molhada.

Ela está seriamente querendo bancar a sofredora, afinal.

– Peguei o primeiro que passou, e perguntei pro motorista se passava perto do trem. Ele disse… Pára de olhar pra mim desse jeito!

– Ele disse isso pra você? – Pergunto com um cinismo incontrolável. Sei que ela se refere a mim, mas já que tenho que passar por isso, que seja ruim para os dois.

– Não! Eu estou falando pra você! Precisa ficar com essa sobrancelha levantada? Se você não acredita em mim, eu não posso fazer nada… – Ela fica irritada: ponto para mim!

– Continua falando. – Disfarço o sorriso.

– Então… Ele disse que passava. O ônibus estava lotado, e o único lugar que dava pra ficar, era embaixo de uma goteira, é claro!

– Ônibus tem goteira? – Pergunto, dessa vez, sem sarcasmo. A imagem de um balde no piso de um ônibus sob um furo no teto me vem à mente.

– Eu sei lá, mas aquele tinha! E pra ajudar, estava um trânsito infernal. Eu já estava dentro daquela banheira tinha mais de uma hora, e foi aí que eu fui pegar meu celular na bolsa pra te ligar, e avisar que eu ia atrasar, mas ele não estava lá! Meu Deus, eu perdi meu celular! Ou pior: eu fui roubada! Na hora eu pensei em como eu queria ter você do meu lado, por que você sempre sabe o que fazer.

Agora ela quer inflar meu ego?

– Mas você nem deve ter me ligado. Porque, se tivesse, teria notado que eu não atendia, e saberia que alguma coisa estava errada.

Agora ela quer me fazer sentir culpado?

– No desespero, eu comecei a olhar pra todo lugar, vendo se não tinha caído no chão, ou se alguém tinha pegado, e foi quando eu vi um cara me encarando! “Deve ter sido ele”, eu pensei… E ele não parava de me olhar. Eu comecei a ficar com medo, “será que ele quer mais alguma coisa?”. E o pior, ele começou a chegar mais perto. Sem saber o que fazer, eu dei sinal pra parar, e desci no próximo ponto! Você acredita que ele desceu também?

“Cacete, cadê esse barman?”

– Eu comecei a andar, e ele estava me seguindo. Quando eu pensei em começar a correr, eu escorrego e caio numa poça… Ah, você não vai acreditar – Se ela diz que eu não vou acreditar, por que ainda insiste em me contar? – Ele chegou, me ajudou a levantar, e perguntou “você não é a amiga da Kátia?”. Ele era o ex dela… Nem reconheci. Era o Fernandinho, lembra?

– Aquele alto de bigode?

– Não.

– O loiro com o dente torto?

– Não…

– O moto boy que foi preso por assaltar o mercadinho?

Não!

Lembro que eu não a chamo de vagabunda sem motivos.

– Então quem é?

– Aquele que mora na rua de cima da minha casa. Lembrou?

Não, não lembro, mas sei quem é.

– Ele pediu pra mim convencer a Kátia a voltar com ele.

“Pra mim convencer”?

– Ele pediu pra eu convencer a Kátia… – Corrijo.

– Pediu pra você, também? Nossa, ele devia estar desesperado!

– Não, é que… – Não vale à pena a explicação. Suspiro. – Continua…

– Depois, eu parei e pensei “eu estou molhada e toda suja de lama, tão atrasada que nem vou chegar a tempo de encontrar ele, e sem celular pra poder avisar”. Então preferi voltar pra casa e tomar um banho quente. Eu sabia que você iria duvidar, mas eu também sabia que você iria entender. Não queria que você fosse visto com alguém toda suja, porque você sabe que eu te amo, não sabe?

Ela me olha com aquele olhar que toda mulher sabe fazer quando quer alguma coisa.

– E o sexo foi antes ou depois do banho quente? – Pergunto como quem fala “como foi seu dia?”. Ela abre a boca, mas nenhuma palavra sai. – Você tem razão, eu duvido de muitas das coisas que você disse, mas de outras eu tenho certeza de que não aconteceram.

– Do que… que você ta falando? – Como eu queria fotografar essa expressão em seu rosto.

– Primeiramente, eu tenho certeza de que você não foi roubada, porque seu celular estava embaixo do banco do meu carro. Você deve ter deixado cair, e nem percebeu. E, como eu te liguei várias vezes ontem, em uma dessas ligações eu ouvi o toque vindo de dentro do carro.

Ela sua frio, enquanto eu tiro o seu celular do meu bolso.

– E eu também sei que você reconheceu o Fernandinho logo na primeira vez que você olhou. E deduzo que os dois logo deram um jeito de descer do ônibus, mas não pra falar da Kátia, e sim pra falar de vocês. Então teriam voltado pra casa, onde rolou a transa – segundo as palavras dele – mais quente que vocês já tiveram. Ele é tão atencioso, não? Até mandou uma mensagem pra você… Mas, oh, você nem chegou a ler. Mas não tem problema, eu leio pra você. – Ela está tão imóvel que parece que morreu em pé. – “E aí, gata? Estava com saudade. Quase um mês que a gente não transava, mas a de ontem valeu a espera. Foi a mais quente que a gente já teve. Depois me liga pra gente marcar alguma coisa… Beijo”.

Ponho o celular no balcão. Seus olhos lacrimejam.

– Mas ainda tenho uma dúvida: quem é mais vagabunda, a Kátia ou você?

O barman finalmente chega, e a primeira lágrima escorre em seu rosto pálido.

– O que gostariam?

– Um whisky cowboy pra mim, por favor. E pra ela uma morte bem lenta e dolorosa.

Uma formidável queda…

24 de outubro de 1929, data considerada popularmente como o Início da Grande Depressão.

É certo que as crises sempre irão acontecer em todos os mercados, pois eles precisam sempre ser renovados, e como disse o presidente do National City Bank, Charles Mitchell, é necessário um “saneamento do mercado”, uma limpeza.

Com “a tal queda”, os preços sobem, a venda cai, as oportunidades de emprego ficam escassas e as empresas não evoluem; um lado vai prejudicando outro sequencialmente. Mas uma hipótese não se pode descartar, se na Crise de 29 uma real medida sustentável fosse tomada, muitos males à economia teriam sido evitados, como as quedas drásticas na produção industrial, altas taxas de desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países e dos preços das próprias ações.

Certas medidas são necessárias antes que uma crise chegue ao seu ponto crítico e é o que estamos presenciando no atual momento, mas que em nossa opinião, muito já poderia ter sido evitado.

O Brasil, que segue paralelo à atual crise já tem passado por maus bocados em diversos setores da economia. Produtores, investidores e empresários de todos os cantos do país já se vêem sem saída, não sabem mais o que fazer para resistir a esta situação, prejuízo atrás de prejuízo.

O principal medo de hoje que vem assombrando os brasileiros é conseqüência do momento, juros que crescem absurdamente atrás de juros e, ao fim, “ter de pagar para se trabalhar”.

De acordo com o superintendente comercial da COCAMAR (Cooperativa Agroindustrial de Maringá), José Cícero Aderaldo… ‘Não há pânico, mas apreensão.’”

O governo precisa olhar para frente e liberar dinheiro hoje, pois a demanda futura pela produção vai haver. O triste seria perdermos o futuro por falta de crédito imediato”, diz Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora de Carne Suína (Abipecs).

Felizmente, ou infelizmente, nós, meros mortais brasileiros, estamos sofrendo com os “respingos da atual Crise Mundial” (como disse o presidente em exercício no Brasil, Luís Inácio Lula da Silva), ainda não “batemos de frente com o ponto CRÍTICO, com o temido COLAPSO”, ou será que já batemos e nem percebemos?? Será que já estávamos vivendo a ascensão da Crise antes mesmo da quebra de muitos bancos no mundo, neste país que ainda sofre diariamente com a desigualdade social??

Ficam no ar estas questões.

Texto de Isabela Meleiro

Relatório Crítico

Todos nós fazemos cultura, por isso é necessário desmercantilizar a cultura, pois quando mercantilista bloqueamos o conhecimento. Nosso consumo por produtos é estimulado pela Indústria Cultural. O desejo por obter algum elemento que esteja na moda é manifestado por todo tipo de público, agregado a ideologia burguesa. Como resultados existem diversos tipos de mídias o empobrecimento de conteúdo, a fim de atingir uma grande quantidade de pessoas.

Dentro desse contexto quando seguimos determinado padrão de roupa, corte de cabelo, calçado. Esses acessórios nos representam, dizem sobre nossa identidade. O que era apenas uma representação da realidade, combinado por vários efeitos de edição, iluminação, música, torna-se “pão e circo” para o consumo do público na vida real. A sociedade é o espelho do que é exibido na TV.

O que está em xeque é a opção do acesso a outros conteúdos de informação, o público tem seu senso crítico despertado, no entanto a opção por escolher, produzir, outras mídias não chegam até ele. É imposto o padrão, como resultado: o condicionamento a alienação; falta de consciência dos problemas políticos e sociais. O que provoca questionamento para a massa é entendido no contexto de que a audiência não será ressaltada, e assim não é importante saber e nem chegar ao verdadeiro conhecimento de determinado assunto. Atendendo a democracia no sentido ao respeito da pluralidade cultural; gênero, raça, classe social, abrindo válvulas para o conhecimento.

Deveria haver uma constituição de um sistema público, que favorece a apropriação da mídia pelo público, reconhecendo a necessidade de sair tanto do controle estatal como do controle privado. Uma outra saída é utilizar as idéias da própria Indústria Cultural como fez a Tropicália durante o regime Militar, cuja finalidade se baseava em alertar, provocar, mobilizar a massa para os conflitos existentes na época. Ou mesmo o CPC que viu a arte como poder.

Se durante o período de repressão foi possível se manifestar, porque hoje essa idéia seria utopia? Mesmo depois de tantos anos, pós ditadura as emissoras de televisão carregam a herança de uma padronização do controle de informação, mas a apropriação por outros meios alternativos de produção fica sendo uma válvula de escape.

Não nascemos com a idéia do que devemos consumir, pois isso é construído no processo do nosso desenvolvimento; influenciados pelos nossos pais, meios de comunicação como à televisão, e uma série de elementos que estabelecem valores, pensamentos, fertilidade, na trajetória de nossa vida. Morar em um país capitalista é lidar com lucro a cada momento, pois é o dinheiro que movimenta as ações humanas. Os meios de comunicação de massa são poderosos nesse sentido; e a Indústria Cultural se apropriou desses conjuntos de idéias consumível.

A TV é o espelho da sociedade, o reforço dos valores burgueses está também nas novelas, herança do passado que eram repassados por folhetins para a população. Como desfruto vemos personagens estereotipados que seguem a lógica da trajetória do herói, para bem explicar, geralmente é retratado o jovem burguês que cercado por escola particular, possui vários amigos, roupa de marca, boa família, branco, enquanto o jovem negro é pobre, não faz amizades, é isolado, rebelde. Por assim dizer o jovem branco salva o negro, dando-lhe comida ou até mesmo oferecendo a sua própria moradia.

Esse tipo de construção narrativa ocorre o tempo todo nas novelas, distorcendo a realidade, mostrando só um lado da história caracterizando o bom moço. O conceito de manipulação é exatamente a seleção de idéias editadas, no qual mostra apenas uma versão da história; e a preservação cultural acaba sendo escassa.

A liberdade de expressão está voltada para o interesse público a partir do momento que nos vemos como parte da sociedade. Quando produzimos a forma e esquecemos o conteúdo, o repertório cultural cai em decadência.

Texto: Patrícia Fonseca